quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A Dupla Face da Corrupção em "Os donos do Estado" e "O valor potencial da Imprensa"

Referência Bibliográfica: ASSIS, José Carlos de. A Dupla Face da Corrupção.
Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984 (Coleção Estudos Brasileiros; v.78)
Resenha dos capítulos 2 (Os donos dos Estado ) e Posfácio (O valor potencial da Imprensa)
págs. 117 a 174)


A ilegitimidade fundamental do poder do Estado, no Brasil, ficou manifesta desde quando o golpe de 1964 abandonou seus pressupostos liberais e militarizou de vez a política. A subordinação do Estado à única fonte legítima de poder numa democracia, o povo, é a tarefa em que se empenham no momento todas as correntes políticas de inspiração democrática da sociedade brasileira. Nesta parte do livro o autor faz sua réplica à Interbrás, uma das subsidiárias da Petrobrás criada em 1976 para ser o seu braço operacional no comércio mundial, que ele já havia publicado sobre o escândalo em seu livro anterior intitulado "Os Mandarins da República". E através deste debate anterior, ele decidiu reproduzí-lo porque em sua opinião, essa discussão, em sua essência se confunde com a da própria questão democrática e da questão nacional.
Neste livro o autor relata alguns episódios objetivos, documentados, da desastrada história da Interbrás, a trading da Petrobrás, frutos da inépcia de, entre outros, seu primeiro vice-presidente executivo Carlos Sant'anna. Antes mesmo da publicação deste livro, em abril de 1984, o autor escreveu reportagens na Folha de São Paulo, perdas de milhões de dólares nas subsidiárias externas tão somente para cobrir o jogo escritural com a empresa-mãe. Também foi mostrado que o lucro exorbitante, era de fato, um "lucro" de papel, meramente contábil, elidindo um brutal prejuízo operacional. A Interbrás nega todos os resultados operacionais principalmente quanto: ao lucro fictício, impostos indevidos, dividendos, ativo e patrimônio, ajuda da Petrobrás e outras despesas operacionais.
Com esta réplica o autor procurou desmascarar um nacionalismo, colocando questões conceituais na moldura de uma concepção ideológica concreta, envolvendo uma empresa símbolo do interesse nacional, a Petrobrás.

O "caso" Baumgarten, o "caso" Delfin e o "caso" Capemi, envolvia muita gente principalmente de dentro e fora do Governo, muito dinheiro público ou com garantia do Estado fluindo para o bolso privado. Devido ao despeito de insufiências que se puderam apontar em cada um ou em todos os órgãos de comunicação no trato desses eventos que remexeram fundo nas entranhas do regime, o resultado global foi uma vitória da Imprensa em seu conjunto. E estes casos receberam em 1983, o Prêmio Esso de Jornalismo.
Baumgarten fechou um contrato de publicidade com a Capemi e tentou em seguida vender para a própria sua editora em estado de falência que finalmente passou a Abissâmara com dinheiro da Capemi, mas que continha uma conspiração e incluia uma fraude no Projeto Tucuruí.
Agora no "caso" Capemi, o pretexto era de impedir a drenagem de recursos do Pecúlio para a Agropecuária Capemi, esvaída financeiramente no meio da fraude e do descalabro administrativo em Tucuruí.
E amarrando tudo isto, os milhões de dólares desviados de recursos da Capemi em Tucuruí com outros milhões do desvio comprovado de recursos do BNH, realizado em proveito próprio pelo Grupo Delfin ao longo de 10 anos.
Todos estes "casos" mencionados, serviram para dar uma mostra à sociedade, à parte os méritos ou fracassos dos jornalistas e das empresas de comunicação se existe liberdade de informação, sempre prevalece no conjunto o verdadeiro "valor potencial" da Imprensa. E para o conjunto da Imprensa, a explosão desses três escândalos, logo seguidos da queda da Coroa-Brastel, constituiu um desafio dentro do processo brasileiro de abertura política.
Não existe Imprensa livre sem sociedade livre. A liberdade de Imprensa, quando exercida sem constrangimentos, não só deve preservar a honra dos cidadãos como também é o único caminho por onde ela pode ser restabelecida quando estão em risco os próprios direitos fundamentais da cidadania.


O Comércio dos Votos

Gabriela Moreira
Valéria Maniero
Antero Gomes
Jornal Extra Segunda-feira 6 de outubro de 2008

Suspeitos de compra de votos - um dos crimes eleitorais mais graves e que prevê até quatro anos de prisão - foram registrados na Baixada Fluminense, nas cidades de Magé, São João de Meriti, Belfor Roxo e Duque de Caxias durante as eleições.
Em São João de Meriti no comitê do candidato Jabes Mocotó, foi apreendido R$2.500,00 com um homem que teria trabalhado na campanha, e lista de eleitores com cópias de títulos. No mesmo município dois homens com listagem de 22 nomes de eleitores, que receberiam R$30,00 para votar em candidato de nome não divulgado.
Em Belford Roxo também apreendidos dinheiro e nomes de eleitores com cabos eleitorais dos candidatos Leandro Severino dos Santos, Roberval Viana, enfermeira Eliana e Alexandre Guerra.
Em Duque de Caxias 90 pessoas foram presas fazendo boca-de-urna e irão responder a processos, e também houve quem chegou na seção para votar e descobriu que alguém já havia votado em seu lugar.

Na realidade nós temos dois momentos, um que se passa nos anos 80, tempos ainda mais difíceis, principalmente para a imprensa, e outro atual onde a liberdade de informação se tornou uma arma poderosa principalmente para os cidadãos. Infelizmente tanto no livro quanto na matéria, o assunto tratado é o mesmo - a corrupção - divergem para a mesma área e sustentam o mesmo pilar. Acredito que hoje estamos mais atentos e mais bem informados, graças a evolução dos fatos trazidos pela mídia e pelo próprio desenvolvimento tecnólogico, e os escândalos cada vez menores, bom pelo menos em comparação aos descritos pelo autor do livro e apresentados aqui por nós.
Admiro o autor que naqueles tempos foi ousado e capaz de trazer a público a devida explanação e aos meios de comunicação de época que começaram a quebrar paradigmas e a própria "lei do silêncio".

2 comentários:

Eduardo, Geraldo, Humberto, Jussara, Marilene disse...

A inescrupulosa personalidade dos políticos brasileiros começou não é de hoje!!!! Até quando? Onde isso vai acabar?

Anônimo disse...

Não dá nem vontade de assistir ao jornal: as notícias são de cunho policial ou corrupção... o poeta tinha razão? "Não haverá nenhum país como este".